Empreendedorismo

A comunidade de startups do Sudoeste do Paraná

Por 16 de outubro de 2020 Nenhum comentário
Pato Branco - Inovação e Startups

A região, que tem cidades como Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, conta com dezenas de startups, que juntas são conhecidas como a comunidade Sudo Valley.

O Sudoeste do Paraná, representado pelas cidades de Pato Branco, Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, tem uma cultura de inovação muito forte.

Juntas, as três cidades têm 26 startups ativas mapeadas, segundo o último relatório Mapeamento de Comunidades Região Sul, da Associação Brasileira de Startups (ABStartups).

Isso faz a região ser conhecida como a casa das startups da comunidade Sudo Valley. 

O polo tecnológico reúne 12,4% (128 das 1.032) das startups paranaenses. Muitas delas estão incubadas no Parque Tecnológico de Pato Branco, uma estrutura modelo no Brasil para cidades com até 100 mil habitantes, voltada para pesquisa, extensão e incubação.

Com capacidade para abrigar 60 empresas, além de cinco laboratórios de certificação, laboratórios de pesquisa e empresas consolidadas, que desenvolvem pesquisa e novos produtos de base tecnológica. 

No Parque Tecnológico de Pato Branco estão startups como a CashLocal, plataforma de cashback (ou seja, dinheiro de volta), que tem o objetivo de fortalecer o comércio do interior ao devolver ao consumidor uma porcentagem do dinheiro gasto em suas compras em lojas físicas, apenas na própria cidade, fazendo-o girar novamente no comércio local.

“Algumas empresas locais não conseguem concorrer por preço com o e-commerce ou grandes varejistas, então precisam ter outros diferenciais”, afirma o CEO e cofundador Thiarles Fernandes do Prado. 

Na prática, o consumidor baixa o app da CashLocal gratuitamente e faz um cadastro do CPF (não é solicitado número de cartão de crédito), para receber créditos de cashback dos estabelecimentos.

Quando o usuário vai a outro comércio parceiro na mesma cidade, ele apresenta o QR Code para leitura, para realizar o pagamento total ou parcial com o saldo, explica Prado.

“Assim, cria-se um ciclo da economia local. É como um programa de fidelidade da cidade.” 

A startup de apenas um ano de atuação está presente em Pato Branco, Francisco Beltrão, Chopinzinho e Salto do Lontra, no Paraná, além de três cidades de Minas Gerais, nas quais o app está em fase de implantação.

Até aqui, são 2 mil usuários, mas a meta é chegar a 50 mil até o final de 2020 nessas mesmas cidades.

Para isso, a CashLocal vai investir a maior parte do incentivo de 50 mil reais que recebeu por meio do edital de fomento da Fundação Araucária, promovido pelo governo do Estado, especialmente para o Sudoeste. 

Segundo Prado, a maior barreira para adesão de usuários à plataforma passa pela informação da população. “Fizemos uma pesquisa e 71% das pessoas não sabiam nem mesmo o que era cashback, mas sabem o que é Nota Paraná, que tem a mesma proposta”, revela.

Outra importante meta é receber investimento no valor de R$ 500 mil no primeiro trimestre de 2021. “A cada duas ou três semanas algum fundo nos procura, mas estamos organizando a casa para entender como investir o valor.” Até 2022, a startup aposta na internacionalização. 

Economia tradicional x revolução tecnológica

O Paraná tem conseguido criar uma consistente conexão entre a economia tradicional e as possibilidades de inovação trazidas pela revolução tecnológica.

Inúmeros projetos fomentam o processo, como o desenvolvimento e implementação de soluções em softwares para empresas do segmento do agronegócio em busca de transformação e crescimento.

É o que propõe a startup Voraz Tecnologia, também incubada no Parque Tecnológico de Pato Branco.

A AgTech tem o foco em gestão de relacionamento com o cliente, força de vendas e marketing, para desenvolvimento de mercado. 

Com a ferramenta é possível controlar diversas ações do campo, onde está sendo investido dinheiro e por quem está sendo feito. Uma das ferramentas é a de desenvolvimento de mercado.

“O agrônomo tem um aplicativo no qual todas as visitas técnicas feitas no produtor são lançadas e, ao final do acompanhamento técnico, gera um relatório de atendimento, que pode ser compartilhado com o produtor”, exemplifica o CEO da Voraz Tecnologia, Eduardo Minozzo. 

Com sócios vindos de famílias de produtores rurais, a Voraz fornece soluções a agroindústrias nacionais e multinacionais desde 2007. São mais de 70% dos clientes com matriz no Paraná, instaladas em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). 

Nestes três anos de atuação, a startup já recebeu quase R$ 1 milhão em investimento de recursos próprios.

O plano de dobrar o faturamento em 2020 foi atualizado e a estimativa atual é crescer quatro vezes mais, adianta Minozzo, especialmente por conta da pandemia de Covid-19.

“Aumentou muito a demanda. Além do crescimento do próprio setor do agronegócio, que manteve alta apesar da crise, notamos que aumentou a própria carteira de clientes já existentes, devido ao uso maior da tecnologia nessas empresas”. 

Minozzo acredita que o apoio à região onde se atua é fundamental para gerar um crescimento em conjunto. “Para a Voraz, o Paraná é fantástico, porque o Paraná é agrícola”, diz.

Segundo ele, as empresas precisam confiar nos seus parceiros, apoiando o crescimento de todas as empresas de tecnologia no nosso Estado. “O Paraná tem excelentes profissionais, mão-de-obra e uma capacidade plena de desenvolver soluções para o Brasil inteiro.” 

Sudoeste: região próspera 

A região Sudoeste é uma das mais prósperas do Estado, na avaliação do economista Leonardo Jianoti, que é investidor-anjo (co-fundador da Curitiba Angels) e conselheiro de empresas na transição para a nova economia.

Não somente pela pujante força do agronegócio, afirma o especialista, mas por abrigar celeiros empreendedores em sua essência.

“Desde o protagonismo do polo tecnológico fomentado pela Itaipu Binacional, como a qualificação trazida pelas universidades que abriram braços na região, à inovação incremental em setores tradicionais como é o próprio agronegócio, com o surgimento de soluções digitais para problemas locais, mostram que o interior nunca foi inferior, muito pelo contrário.” 

Jianoti acredita na criação de “pontes” pelos empresários e entidades do Estado como forma de contribuir para o crescimento e valorização das startups locais.

O ciclo empreendedor, aponta o especialista, é naturalmente promotor da inovação, cabendo às instituições públicas e privadas criarem e conectarem iniciativas de simplificação do ambiente regulatório e desburocratização, para abertura, licenciamento e desenvolvimento de negócios.

“Precisamos aproveitar os potenciais de cada parte isolada, em especial a união entre pesquisa aplicada e o mercado, e a aceleração de iniciativas de desburocratização e melhoria do ambiente de negócios”, diz.

Matéria retirada do portal G1 Paraná. Créditos da Foto: José Fernando Ogura/ANPr

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